sábado, 11 de julho de 2009














" Com força e até o fundo"









"O sexo é uma arte que todos gostaríamos de dominar. Mas como em todas as formas de arte, há quem a entenda e quem lhe passe ao lado. Na foda passa-se a mesmíssima coisa. Há quem aceite o conceito inscrito na sua génese e quem levante moinhos de vento. Ou seja, há os que percebem a dinâmica sexual propriamente dita, um entra e sai tão simples como inspirar e expirar, e outros que insistem em reinventar a roda.

Se há coisa que me arrepia os pêlos do cu, se os tivesse, é aquele tipo de gajo que acha que foder tem apenas um caminho: o que entra. E uma intensidade: a força. E um destino: bater no fundo. Não há nada mais exasperante para uma mulher que perceber que se não tiver cuidado, em vez de uma foda bem dada lhe vão fazer uma extracção das amígdalas, tal é a força (e o total desconhecimento) com que o macho a penetra. Pior: penetra e lá fica, a hibernar, mexendo o quadril como se a piça fosse uma broca gigante que perfura, perfura, perfura o interior da mulher, qual garimpeiro em busca do ouro. O que interessa é que seja com força e até ao fundo. São homens em missão, obviamente solitária, que, julgo, nascer daquele mito masculino do «todo lá dentro da querida».
(continua)









Esqueçam os lábios vaginais, as zonas sensíveis que aí existem facilmente estimuladas pela passagem do falo, obliterem o clitóris, obnubilem tudo isso. Para certo tipo de homens, enfiar é a palavra de ordem. Eu até percebo que o sexo possa sufocar com tantas exigências, especialmente no plano do desempenho e da esperada eficácia, mas bolas, por Toutatis!, que raio de fixação! É uma espécie de foda à coelho, um lapin despropositado, um bailado desconexado numa caixa velocidades com apenas uma mudança: a quinta.

Caríssimos machames, não sejam apressados. Perfilem-se na pole position e dêem as voltas de aquecimento necessárias. Usem a dita caixa de velocidades de todas formas possíveis e sejam indulgentes com as várias combinações que ela vos permite.
E já agora, quando sentirem a vossa piça embater na parede, se calhar é porque a pista acaba ali…

Fiz-me entender queridos?
Claro que fiz…"



Sissi in Cenas de Gaja

... o primeiro contato

… A meio da noite durante o sono senti o P a encostar se a mim … eu estava de costas e o seu sexo duro e quente deslizou por entre as minhas coxas … mesmo sonolenta aquele contacto humedeceu me deixando me excitada… embora soubesse que era o P aquele contacto na escuridão do quarto provocou me uma sensação de “dejá vu” , como se já tivesse vivido aquele exacto momento … memorias passadas desfilaram no meu pensamento e me transportaram para a minha infância… eu tinha doze anos … meus pais tinham emigrado , eu e os meus irmãos ficamos a viver com os meus avós… um incêndio devorou as duas casas vizinhas … a casa dos meus avós teria sido a próxima … felizmente os bombeiros conseguiram controlar o fogo a tempo… aquelas línguas gigantescas de fogo e o cadáver do vizinho carbonizado por ter adormecido a ler à luz da vela não saiam do meu pensamento… nunca mais consegui dormir em casa dos meus avós, felizmente os meus pais quando emigraram deixaram a nossa casa habitável e decidi levar os meus irmãos mais novos comigo e passamos a dormir sozinhos lá, a casa também não ficava muito longe da dos meus avós. Um primo que morava noutra região vinha regularmente a nossa casa principalmente no verão para fazer praia, sempre nos entendemos muito bem , a nossa cumplicidade era perfeita, apesar da diferença de idades que em adultos não é significativo mas quando se é criança é e muito, eu com doze ele com vinte, a conversa fluía naturalmente e as brincadeiras também e sempre de maneira muito agradável, no entanto eu nunca o vi como um possível namorado para mim era como um irmão até lhe contava as minhas apaixonetas de escola, como já era habitual ele veio sozinho e ficou a dormir na casa dos meus pais, tanto eu como ele tínhamos o habito de ler antes de adormecer, ele ficou no quarto dos meus pais , eu fiquei no meu com os meus irmãos que eram mais novos e tinham medo de dormir sozinhos depois do incêndio… ao fim de algum tempo ele veio ter comigo e sugeriu para eu fosse ler para a cama dele assim só se gastava uma luz, achei normal e fui… ao fim de algumas paginas ele disse que estava com sono eu também já estava… ia me pôr a pé para regressar o meu quarto, quando ele disse para eu dormir com ele assim os meus irmãos ficavam com mais espaço... fiquei ... apagou a luz e preparei me para dormir na minha posição preferida … posição fetal… ele aproximou se de mim… tirou me as cuecas… não fui capaz de reagir… senti me a paralisar… não de medo… mas algo de diferente estava a acontecer… foi um despertar de sensações que eu desconhecia que existiam e ele era o meu amigo ele devia saber o que estava a fazer … deslizou o seu sexo por entre as minhas coxas, senti o bem duro… quente… estava a sentir uma coisa que nunca tinha visto nem em foto… comecei a ficar húmida … só de o sentir … bastante húmida… eu nada sabia sobre sexo… a informação era nula mas por instinto eu já adivinhava o que aquilo representava… e percebi logo como se concebia… ele falava me ao ouvido de maneira doce … queria me convencer a ir mais além… mas eu por instinto sabia que não devia … só queria ficar assim um tempo a sentir lo entre as minhas coxas mais nada… a sensação era boa demais para me levantar e sair da cama e fugir para o meu quarto… entretanto a minha avó mulher sábia e conhecedora da vida … talvez tenha visto no olhar dele coisas que me escapavam devido a minha idade … apareceu e bateu à porta de casa chamou por mim… sai a correr da cama e fui até à porta… perguntou me se estava tudo bem… respondi que sim… ela voltou a insistir… tranquilizei a… regressei ao meu quarto … demorei a adormecer… de manhã quando acordei ele já não estava desistiu das férias fiquei alguns anos sem o ver… nesse mesmo ano os meus pais vieram buscar nos e emigramos também… eu não sei até onde eu seria capaz de resistir, o que estava a sentir era muito bom … mas não sei se estaria preparada para o que viria a seguir poderia até ficar a odiar o sexo… ou talvez não … não sei… de qualquer maneira acho que ainda bem que a minha avó apareceu na hora certa… e assim só ficou gravado em mim a boa memoria e ainda hoje quando penso nesse momento sinto o com a mesma intensidade que senti nessa noite… às vezes penso se a nossa primeira experiência condiciona ou não as experiências futuras… a abordagem que mais me excita é quando um homem me abraça por trás e me fala ao ouvido… e me faz sentir o seu sexo por entre as minhas coxas… será coincidência?... será devido a essa experiência?... não sei… quando o voltei a ver anos mais tarde eu já com dezoito anos não o associei ao sucedido, talvez por não ter visto o rosto dele. Continuei a olhar para ele como o primo de sempre, sem qualquer desejo, a não ser a vontade de continuar a sermos amigos embora eu já soubesse que ele queria namorar comigo e toda a família pensasse que ainda iríamos casar… fechei a porta do meu pensamento e entreguei me com muita preguiça às carícias do P que me beijava o pescoço… me mordiscava a orelha… afagava-me os cabelos… apesar de me arrepiar e estremecer ao seu toque deixei me ficar sonolenta… apesar de me sentir cada vez mais húmida… estava me a saber bem aquele mimo… depois espreguicei –me… apertei mais as coxas. .. encostei a minha mão ao seu sexo e pressionei o contra o meu sexo … estávamos os dois muito húmidos … num movimento de ancas incitei o a se movimentar entre as minhas coxas … e explodiu na minha mão… a sua mão juntou se à minha dedilhando o meu clítoris e me fez enlouquecer de prazer … um belíssimo orgasmo num momento de preguiça…



Felina

http://conversasintimas-felina.blogspot.com

terça-feira, 7 de julho de 2009

Passarinhos, fragmentos


Ele enfiou um joelho entre as coxas dela e afastou-as.
Fiquei excitada ao ver Lina tão indefesa e aberta.
Comecei a acariciá-la, a despi-la. Ela sabia o que eu estava a fazer, mas estava a gostar.
Colou a boca à minha e os seus olhos fecharam-se e deixou que Michel e eu a despíssemos toda.
Os seus seios fartos cobriram o rosto de Michel. Ele mordeu-lhe os mamilos. Ela deixou-o beijá-la entre as pernas e introduzir o pénis, e deixou-me a mim beijar-lhe os seios e acariciá-los.
Tinha umas nádegas maravilhosas, firmes e redondas. Michel teimava em afastar-lhe as pernas e em morder-lhe a pele macia, até que ela começou a gemer.
A única coisa que Lina permitia era o pénis, portanto Michel possuiu-a e, depois de ela desfrutar, ele quis possuir-me.
Ela sentou-se direita, abriu os olhos e observou-nos pensativamente por um instante, depois tirou o pénis de Michel de dentro de mim e não o deixou tornar a penetrar-me. Lançou-se sobre mim com uma fúria sexual, acariciando-me com a boca e com as mãos.
Michel voltou a possuí-la, por trás.
Quando saímos para a rua, Lina e eu, enlaçadas pela cintura, ela fingiu não se lembrar de nada do que acontecera.
Deixei-a.
No dia seguinte, ela foi-se embora de Paris.




in Passarinhos - Anaïs Nin

segunda-feira, 6 de julho de 2009

“Cantares de Perda e Predileção”






“Toma para teu gozo/este rio de saudade.
Nenhum recobrirá teu corpo/com tamanha leveza/e com tal gosto.
Ainda que sejam muitos/Os largos rios da Terra.
Toma para teu gozo/minha dor e insanidade
De nunca voltar a ver/Meu próprio rosto.
E aguarda uma tarde sem tempo/Quando serei apenas retalhada/Um espelho molhado de umas águas.”


“Cantares de Perda e Predileção” de Hilda Hilst:

parte da criação








“Todos somos parte da criação, todos reis, todos poetas, todos músicos; precisamos apenas nos abrir, para descobrir o que já estava lá.”


Henry Miller

Bukowski

"Talvez a miséria tenha chegado. Não se pode viver da própria alma. Não se pode pagar o aluguel com a alma. Experimente fazer isso um dia. É o início do Declínio e a Queda do Ocidente, como Splenger dizia. Todo mundo é tão ganancioso e decadente, a decomposição realmente começou. Eles matam gente aos milhões nas guerras e dão medalhas por isso. Metade das pessoas deste mundo vai morrer de fome enquanto a gente fica por aí sentado vendo TV."

Bukowski

vulneravel

«Só agora Elena percebia porque é que certos maridos espanhóis se recusavam a iniciar suas mulheres em todas as subtilezas do acto de amor - para escaparem ao risco de lhes despertar paixões insaciáveis. Em vez de se sentir apaziguada, saciada pelo amor de Pierre, Elena sentia-se ainda mais vulnerável. Quanto mais desejava Pierre, mais desejo tinha de outros amores.»

Trecho do livro Delta de Vénus, Anaïs Nin, (página 147, Bico de Pena