sexta-feira, 23 de maio de 2008

Monica, fragmento 01






Mónica gostava que ele lhe metesse as mãos entre as pernas enquanto ainda estava vestida: os dedos a afastarem a seda das meias, a tentarem alargar o cinto de ligas, a deslizarem na pele macia das coxas, a insinuarem-se já pelo caminho dos pêlos até à humidade quente dos lábios grossos, salientes e largos da vagina, onde sentia pulsar um perturbante coração afastado.
Ou uma boca cheia de sede.
Deixava que as pernas subissem, os pés roçando os ombros, mas primeiro como se hesitassem, numa espécie de abraço em torno do pescoço; depois, desciam de novo até aos ombros, abertas. Oferecendo-se, enquanto Pedro começava a lamber-lhe, ao de leve, as virilhas com o seu cheiro a fruto; um pequeno suor salgado a insinuar-se por dentro da saliva, dissolvendo-se na língua. E o sussuro, o gemido, eram tão baixos que ninguém saberia determinar de qual dos dois partiam.
Assim, vestidos.
Desde o princípio, como gostava, logo depois de chegarem ao quarto da pensão pobre por onde ele a arrastava, ambos de respiração suspensa, subindo depressa os degraus da escada nauseabunda,(...) Pedro, excitado, parava a meio para se esfregar nela, e Mónica quase gritava de gozo, prazer que isso despertava nela, curvada sobre o intenso cheiro almiscarado que o pescoço dele guardava, odor a cortar-lhe a respiração, entontecida e sôfrega.
"Não me quero vir( gozar) já..." murmurava ele a morder-lhe os pulsos febris, breves, algemados pelos seus dedos à parede esburacada. E continuavam subindo a escada, sem fôlego, até ao último andar, patamar onde aparecia uma mulher gorda e pintada, que nas primeiras vezes lhe perguntou a idade - "por causa da polícia...", explicou; mas que nos meses seguintes se limitava a conduzi-los, sem palavras, até ao quarto que lhes alugava, quase vazio. Uma cama, uma cadeira, um candeeiro e um espelho chegavam-lhes durante as horas que ali passavam, nas quais só queriam beber-se, devorar-se um ao outro, misturando os sucos, o cuspo, o prazer, partilhando a posse.
Às vezes Mónica gritava.
Pedro punha-lhe então sobre a boca a palma da mão, que ela mordia, e explodia dentro dela, o corpo muito magro erguendo-se, febril, enquanto a via continuar ainda e ainda revolvendo-se, os dedos excitando-os dentro de si, enquanto se ia masturbando ao mesmo tempo.



Maria Tresa Horta

" No espelho"



O espelho a chamava,( ...) inquieta (...) condição feminina. O(...) que via refletido era ela Sempre em cortes, pequenos detalhes. Não conseguia ater-se ao corpo como um todo. Tão vulgar, tão material, tão diferente do que podia lembrar de si mesma. No espelho, seu ser parecia exageradamente delineado, muito distinto de seu confuso universo mental ― e por isso apenas, tão atraente. Nunca permitia tocar-se, de início. Observava-se abrir as pernas e fazer pequenas contrações. Não suportava o brilho de sua carne. Derretia, subia um calor, um tesão, seu corpo pingava na cadeira. Desejava que alguém entrasse e presenciasse aquilo, qualquer um. Foi pensando nesta doce humilhação que, afinal, deixou-se tocar. Com as pontas dos dedos molhadas, rodeava os mamilos com delicadeza. Não era sempre que fazia tão devagar, desta vez queria sentir muito. Não se reconhecia ― o tronco tão esticado, os movimentos tão sinuosos que seu corpo parecia possuído. Não lembrava ter dado ordem para enrijecer os pés daquela maneira, os dedos assim apertados contra o chão.
(posicionou o espelho, olhou os contornos da sua bocetinha, as formas, o corte, os labíos, abriu os, e levemente... introduziu, primeiro um, depois o outro, sentiu se molhada, excitada, querendo...sentiu se mulher...)
A esta altura, escorria pela cadeira e pingava no piso gelado.


David

A mulher nua, fragmento 01


(...)
"Naturalmente que, embora tivesse entrado pela porta grande do sexo, não me privei da iniciação sexual clássica. Entrei nos circulos eróticos mais convencionais e próprios da minha idade, pois eram os únicos que estavam ao meu alcance. Assim, brinquei aos médicos com os meus companheiros de colégio. Olhei e toquei montes de entrepernas e deixei tocar e olhar a minha. Mas os pénis dos meninos da minha turma eram minhocas brincalhonas e flácidas, como dedos mendinhos sem osso, que não reagiam às minhas mensagens, que não se inchavam e que nunca cresciam ou se endureciam como o de Damián ou o do meu pai. Como explicar-lhes que eu tinha brincado aos médicos com um cirurgião a sério, que não só exercia medicina como tinha um diploma de especialista naquele jogo? (...)


À parte os frustrantes encontros com aqueles aprendizes de médico, e a contemplação das rachitas das minhas amigas, que eram como a minha, mais ou menos, aos doze anos assisti à revelação máxima, ao último degrau da escala do sexo. Finalmente vim a saber que o brinquedo de Damián tinha outras vias de exploração que eu não descobrira naquela tarde.
Nicolás, filho de um espanhol e de uma norueguesa, um dia trouxe de casa uma revista estrangeira cheia de imagens. Mostrou-nos no recreio, escondidos atrás de um monte de terra onde um enorme tubo de esgoto morria à intempérie.

Na realidade, era uma historieta sem palavras e todos os protagonistas tinham o cabelo tão louro que parecia branco. Na primeira página, um fulano vestido de cardeal encontrava-se rodeado de mulheres vestidas de freiras com hábitos vermelhos, todos em posição de orar. Na seguinte, as mulheres desabotoavam a interminável sotaina e punham ao léu a nudez do homem, que não vestia nada por baixo e tinha a pichota tesa. Na outra a seguir, despiam-se elas. Depois chupavam-lhe o caralho várias ao mesmo tempo e ele agarrava-lhes as mamas apertando-as com força. Depois ele aparecia com o caralho dentro da cona de uma delas, em vários planos. Mais adiante, um plano do caralho a entrar dentro de outro buraco de uma freira, que deduzimos que era um cu porque se via a cona aberta ao lado.

E finalmente podia-se ver o famoso jorro branco a sair do caralho, petrificado na foto e a cair em cima da cara de uma das freiras, que tinha uma expressão muito alegre, surpreendida e faminta, enquanto abria a boca como uma caixa de correio e esticava uma língua de serpente.
Aquela visão foi forte de mais para nós e voltámos para a aula cabisbaixos quando o recreio acabou, com o cérebro cheio de sémen e vergas e conas e mamas e cus, incapazes de assimilar o autêntico significado do conteúdo da revista.

Mas Damián não voltou, e eu cresci e desenvolvi-me. Cresceram-me as mamas, veio-me o período, cresceram-me os pêlos no púbis, rebentaram-me borbulhas na cara e a sensualidade chegou-me às golfadas. Os beijos, até então autómatos, converteram-se na antessala de um desejo que não se extinguia com a mera exploração de centenas de bocas. O meu corpo ansiava por mais. Ansiava tudo o que um homem pode dar a uma mulher. E prestes a fazer catorze anos eu era uma fogueira que nunca se apagava, que ardia inutilmente vinte e quatro horas por dia. (...)


Aos dezasseis anos eu já tinha experimentado todas as possibilidades que uma discoteca oferece, a marmelada nos cinemas, lugar este, por exemplo, onde fui aperfeiçoando a técnica da masturbação masculina. (...) Naquele momento, eu com a lascívia de uma cortesã, vestida de piloto de corridas prestes a atingir a meta, agarrava a embraiagem de carne, desorbitada e pisada até à morte, e dava ao dono o que merecia, malhando-lha como uma deusa. Era o que me diziam, malhas-me como uma deusa, Martina. Na verdade era uma verdadeira artista punheteira. E a razão é simples. Agradava-me. Desfrutava agarrando naquele berbequim e submetendo-o às minhas ordens. Fazia-os sofrer subindo e descendo a pele congestionada com a habilidade de uma especialista em amassar pão caseiro.

Punha-os à beira do orgasmo à base de uma cuidada e excitante combinação de extrema suavidade e apertões selvagens, retardava a ejaculação e voltava a estimular o membro até que finalmente explodia a transbordar de leite contido, entre estertores e espasmos que pareciam nunca mais acabar, tanta loucura investiam na esporradela, tanta energia musculosa e alegre, desinibida, adolescente e travessa. Depois vinha a parte difícil da limpeza, mas, antes, um imperioso instinto levava-os a beijar-me os lábios com doçura enjoativa, com o agradecimento de um animal malferido a quem se tira a farpa espetada na pata. E esse beijo, sincero, sabia-me a sémen apaixonado. Era a minha recompensa. Um novo beijo para a minha arca do tesouro, para guardar com avareza no tambor do meu coração transformado em revolver.
(...)


Lola Beccaria

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A hora das bruxas II





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(...)
Seu corpo estava pregado ao tapete, e o pau a queimava ao entrar, arranhando seu clitóris, mergulhando mais fundo na vagina.
- Eu não agüento mais. Não consigo suportar. E, partida ao meio, devastada... orgasmo a inundou; sua cabeça, vazia a não ser pela louca enxurrada de cores como ondas, enquanto a sensação turbulenta se espalhava para cima pelo seu ventre, seus seios, seu rosto, e para baixo pelas coxas, enrijecendo suas pernas e os músculos dos pés. Ela ouvia seus próprios gritos, mas eles eram distantes, sem importância, saindo da sua boca num prazer divino; e seu corpo sacudia indefeso, desprovido de vontade e de raciocínio.
Repetidas vezes, a explosão a escaldou. Inúmeras vezes, até que todo o tempo, toda a culpa, todo o pensamento fosse eliminado.
(...)


Anne Rice

Como a mulher dar o cu sem doer

(...)
sugiro que faça assim:

1º) bastante sexo oral no ânus para lubrificar e excitar
2º) encosta um dedo e fica roçando na portinha
3º) enfia o dedo devagarinho por uns 2 ou 3 minutos
4º) quando entrar e sair rápido e fácil, mais sexo oral
5º) começa a esfregar e penetrar com dois dedos
6º) repete os processos até colocar os cinco dedos
7º) o ânus estará com a abertura do tamanho do pênis
8º) mais sexo oral antes de encostar a cabecinha
9º) encosta a cabecinha mas não penetra logo de cara
10º) fica entrando e saindo só no rego e encostando na porta
11º) começa a penetrar só com a cabecinha e devagarinho
12º) enfia um poucochinho lá dentro e volta pra não doer
13º) torna a enfiar só um pouquinho mais fundo que antes
14º) fazer isso até entrar tudinho lá dentro sem doer
15º) quado tiver tudo dentro fica indo e voltando devagar
16º) aumenta a velocidade aos poucos até ficar bem rápdo

Se na hora eu tiver com medo de doer, me pega de frango assado pra eu poder abraçar os joelhos nos seios de barriga pra cima e bunda pro alto. Assim, mesmo que eu contraia tudo, minha xana e minha bunda continuarão abertas o suficiente pra entrar e não doer. Só prazer!

Obs: sempre lavo bem a região pra ele não ter nojo de fazer oral lá. Só não uso sabonete dove porque arde. Prefiro enfiar os dedinhos no banho com sabonete phebo, alma das flores ou lux. São os melhores pra se dedar no banho e limpar tudinho lá dentro.


Mico mia (mial)

" ... entre teu peito e teu ombro ..."



Te ofereço nos olhos minhas tristezas e te peço que as tomes nos braços, num lugar impreciso entre teu peito e teu ombro, onde deito o cansaço, onde rio alto do que dizes sem querer sem engraçado. E me afagas os cabelos e passeias teus dedos por meus pêlos e tuas mãos pelo meu corpo. Te ofereço então meus sorrisos amarrotados, meus beijos descrentes, meu desejo titubeante e te fazes amante desse tanto de mim fugidio e delicado, de temores e frêmitos, de ânsias e lacunas. E sou menos amargura e mais singeleza na fragilidade dos instantes contados, no fechar de olhos ao teu lado, no despertar entre as frestas das vidas de nós dois.


Ticcia

" Meus lábios ..."




" Meus lábios estão pintados com a tua saliva. Neles pousadas as marcas dos teus beijos pássaros que descansam à sombra do meu desejo sôfrego, do ar que me falta, na pele roçada de leve no lóbulo da tua orelha, banhada de língua e delícia. Lascivos, deslizantes e urgentes, procuram em ti meus lábios um saciar de sedes, um sossegar de ânsias e encontram, nos teus. "


Ticcia

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Recomeço





(...)

As mulheres que falam mal e se recusam a essa prática são, para mim, umas bobas preconceituosas. Mal sabem elas que a região do ânus é riquíssima em terminações nervosas que proporcionam o maior prazer se bem manipuladas. É claro que fazer sexo anal é muito mais complexo do que uma penetração convencional, pau + bucetinha. É uma região mais sensível, que requer mais cuidados. Mas, fazendo tudo direitinho, é ótimo, eu garanto. É quase libertário.

Eu sempre tive umas fantasias de dar o cu. Sempre, desde antes de perder a virgindade. Logo que eu dei pela primeira vez, o cara pediu para comer meu cu. Na verdade, ele não pediu, já foi forçando. Não gostei muito,

Fui dar o cu pela primeira vez para outro cara. Foi gostosinho, mas nada demais. Quando me envolvi com um outro sujeito. Dessa vez, a sensação foi indescritível. Um pau não pequeno, mas também não gigantesco. Algo na média, grossinho, bem duro. Descobri uma sensação diferente. Parece que quando a gente é penetrada por trás, a pressão é diferente. No meu caso, era como se o meu clitóris estivesse sendo masturbado pelo lado avesso. Delicioso.

Desde então, eu pratico o anal. É só me dar muito tesão que eu deixo rolar. Me sinto muito mais mulher e mais completa na cama. Sem falar que é uma delícia ver a carinha de "não tô acreditando" Prazer garantido, para ambas as partes. Só fico indignada de, na maioria das vezes, não poder falar com as pessoas o que estou escrevendo aqui agora. Não dá para sair soltando intimidades assim, ainda mais para esse tipo de pessoa que vai achar que eu sou uma louca pervertida se eu disse que, sim, eu gosto e sinto prazer ao fazer sexo anal. Falam tanto que existe liberdade sexual, mas o que se vê é ainda um povinho retrógrado, de mente fechada e cheia de tabus.
Ficam, agora, as dicas. Meninos, se vocês querem o cuzinho de suas amadas, não forcem a barra. Comecem com dando muito carinho em todo o corpo, depois, tentem um dedinho. Se ela estiver louca de tesão, vai perceber o quanto é bom ser tocada por trás. Meninas, libertem-se dos preconceitos. "Consideramos justa toda forma de amor", já cantaria o Lulu Santos. No mais, leiam isso e isso (um pouco de teoria sempre é bom, afinal). Enjoy.


Mel

Por que as pessoas escrevem?




Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.
Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros. Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.
Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela. Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades - é a isto que eu chamo de respirar“



Anais Nin

Diários, fragmento 05

(...)
"Fui para meu quarto, envenenada. Incessantemente, soprava o mistral, sêco e morno. Estava eu assim há dias, desde que cheguei. Destroçava meus nervos. Não pensei em nada. Sentia-me dividida, essa divisão me matava, a luta por sentir alegria, uma alegria inalcançável. A irrealidade opressiva. De novo a vida retocedendo, iludindo-me. Eu possuia o homem que amava em meus pensamentos; eu o tinha em meus braços, em meu corpo. O homem que busquei por todo o tempo, que marcou minha infância e me perseguia. Havia amado fragmentos dele em outros homens: o brilho de John, a compaixão de Allendy, as abstrações de Artaud, a força criativa e o dinamismo de Henry. E ele todo estava ali, tão belo de fisionomia e corpo, tão ardente, com uma força maior, todo unificado, sintetizado, mais brilhante, mais abstrato, com maior força e sensualidade. O amor por este homem, pelas semelhanças entre nós, pela relação de sangue, atrofiava minha alegria. E deste modo, a vida fazia comigo seu velho truque de dissolução, de perda do palpável, do normal. Soprava o vento mistral e se destruíam as formas e os sabores".

(...)

Anais Nin