sexta-feira, 23 de maio de 2008

" No espelho"



O espelho a chamava,( ...) inquieta (...) condição feminina. O(...) que via refletido era ela Sempre em cortes, pequenos detalhes. Não conseguia ater-se ao corpo como um todo. Tão vulgar, tão material, tão diferente do que podia lembrar de si mesma. No espelho, seu ser parecia exageradamente delineado, muito distinto de seu confuso universo mental ― e por isso apenas, tão atraente. Nunca permitia tocar-se, de início. Observava-se abrir as pernas e fazer pequenas contrações. Não suportava o brilho de sua carne. Derretia, subia um calor, um tesão, seu corpo pingava na cadeira. Desejava que alguém entrasse e presenciasse aquilo, qualquer um. Foi pensando nesta doce humilhação que, afinal, deixou-se tocar. Com as pontas dos dedos molhadas, rodeava os mamilos com delicadeza. Não era sempre que fazia tão devagar, desta vez queria sentir muito. Não se reconhecia ― o tronco tão esticado, os movimentos tão sinuosos que seu corpo parecia possuído. Não lembrava ter dado ordem para enrijecer os pés daquela maneira, os dedos assim apertados contra o chão.
(posicionou o espelho, olhou os contornos da sua bocetinha, as formas, o corte, os labíos, abriu os, e levemente... introduziu, primeiro um, depois o outro, sentiu se molhada, excitada, querendo...sentiu se mulher...)
A esta altura, escorria pela cadeira e pingava no piso gelado.


David

Um comentário:

gel disse...

Beija-me!
Beija-me como eu quero
Muito...Muito...Mas
Do teu jeito
Com os lábios do teu amor
Com o néctar adocicado
Pelo sabor do meu céu
Beijo que não sei definir
Direito...
Se é o teu jeito
Que me enlouquece
Que me entontece
Beijo maroto
Safado
Assanhado
Molhado
Espalhado...
Busco sentí-lo
De corpo e alma
Mas do jeito que
Me acalma...
Morrendo em minha boca
Qual uva madura
Colhida no pé do desejo
Em cachos deslizantes
Pelo meu corpo suado
Te amando...E beijando
Colhendo...mordendo
Meus lábios primeiro
Que sabe beijar!
Espalhando desejo
Com teus beijos...E
Com esse teu jeito
Doído de amar!